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Martha Medeiros fala sobre seu novo livro Fora de mim e sobre o atual cenário da literatura nacional

Martha Medeiros é gaúcha de Porto Alegre, a cidade celeiro de grandes nomes da literatura nacional. Admirada por muitos escritores brasileiros, ela lança seu novo romance “Fora de mim”. Não há lançamento previsto para Curitiba, mas o 500g de Cultura conversou com a escritora sobre a nova obra, sobre literatura na internet entre outros temas. Acompanhe a entrevista completa, concedida por e-mail. E ainda um trecho do livro e uma pesquisa de preços entre as maiores livrarias presentes em Curitiba.
Lançamento do Fora de mim na Livraria Saraiva,em Porto Alegre

500g - Como foi o processo de composição desse seu novo livro: Fora de mim?
Martha - Comecei a escrever esse livro em 2008, numa época em que estava passando por uma tristeza semelhante a da personagem. Mas logo interrompi a continuação do livro e lancei o Doidas e Santas. Só agora, em 2010, é que retomei a narrativa, já desapegada daquela dor antiga e investindo fundo na ficção. O livro ficou completamente diferente do que eu imaginava no início.

500g - Sua obra Divã, já foi adaptada para o cinema e para o teatro. Há possibilidade ou alguma especulação de que o Fora de mim, percorra o mesmo caminho?
Martha – Não há nada conversado, mas se alguma atriz se interessar em montar o livro, estarei aberta a ouvir. O livro tem potencial para se desdobrar. 

500g - Esta obra é um romance, você já lançou livros de poesia, e é cronista em um dos maiores jornais do país: o Zero Hora. Em qual estilo literário você se sente mais a vontade, por quê?
Martha - Tenho mais prática com a crônica, ela faz parte do meu dia-a-dia. A poesia segue sendo um “hobby”. Mas é a ficção que hoje me dá mais prazer, pois é mais desafiador, eu ainda não tenho fôlego suficiente para contar uma história longa, então é através da ficção que me exercito mais, me aplico mais, dou mais de mim.

500g - Atualmente há milhares de blog’s literários em língua portuguesa. Muitos autores alcançam oportunidade para publicar através do trabalho na web. Você acredita numa geração de escritores vindos da web para os livros?
Martha - Acredito, claro. O blog não é excludente, não é um gueto, é apenas mais um veículo de divulgação de textos. Porém, como são muitos os blogs, é difícil encontrar alguém que realmente se sobressaia, mas há muita gente boa escrevendo. 

500g - Você costuma ler blogs literários? Se sim, quais?
Martha - Sinceramente, não acompanho blogs, não tenho tempo. Às vezes alguém me indica alguma coisa, dou uma olhada, mas não me torno fiel.

500g - Quais autores foram fundamentais para sua formação como escritora?
Martha - Tudo que eu leio, até hoje, me ajuda na minha formação, mas se eu tivesse que citar apenas um nome, citaria Marina Colasanti, ela foi decisiva na minha formação como mulher, mais do que tudo. 

500g - Que livro está lendo atualmente?
Martha - “Os íntimos”, da portuguesa Inês Pedrosa. Estou gostando bastante.

500g - O Rio Grande do Sul é conhecido por lançar diversos escritores reconhecidos nacionalmente, só entre os autores contemporâneos pode-se citar Luis Fernando Veríssimo, Caio Fernando Abreu, Fabrício Carpinejar e você. Há alguém que você possa apontar como expoente da literatura gaúcha atualmente?
Martha - Luis Fernando e o falecido Caio são ícones incontestáveis, assim como Lya Luft. Gosto muito do trabalho da Cintia Moscovich, mas quem realmente tem se destacado na paisagem literária gaúcha é mesmo Fabrício Carpinejar, que parece ser um vulcão em constante erupção, lida com as palavras de um jeito vigoroso e criativo, e sua literatura está não apenas no que ele escreve, mas na forma como vive, se veste, se expressa. Não existe distância entre autor e obra.

Para quem busca visibilidade no meio literário nacional, quais são suas dicas?
Martha - Paciência, antes de tudo, porque o mercado não consegue absorver tanta gente produzindo. Humildade, porque há aqueles que pensam que possuem mais talento do que realmente têm. E perseverança. Outra coisa: muita leitura. Muita! E ter uma vivência real, gostar da vida no que ela tem de bom e ruim, se jogar, ser uma pessoa que não veio ao mundo a passeio, mas que se entrega às suas emoções.

Leia abaixo um trecho do Fora de mim: 

“Eu sabia que terminaríamos, eu sabia que era uma viagem sem destino, sabia desde o início e não sabia, não sabia que doeria tanto, que era tanto, que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber um amor, entender um amor, tanto que terminou sem muito discurso, foi uma noite em que você quase pediu, me deixe. Ora, pra que me enganar: você realmente pediu, sem pronunciar palavra, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te trato, repare em como não te quero mais, me deixe, e eu, de repente, naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia em que falei com você pela primeira vez, desde uma tarde em que ainda nem tínhamos iniciado nada e eu já amadurecia o fim, e assim foi durante os dois anos em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de paixão e luto, me preparando para o amor e a dor ao mesmo tempo, achando que isso era maturidade. Que idiota eu sou, o que é que amadureci?”

O livro está à venda nas melhores livrarias de Curitiba.
Confira os preços:
Saraiva (Online): R$ 19,80
Livrarias Curitiba (Online): R$ 29,90
Fnac (Online): R$ 23,90 

Entrevista: Luana Gabriela
Foto: Rodrigo Lorandi - Fonte: www.saraiva.com.br

Jovens escritores e a web: Cah Morandi representa uma nova geração de autores nacionais

A web é um celeiro de novos talentos da literatura nacional. São inúmeros os blogs literários em língua portuguesa. Não há estimativa de quantos, já que a cada dia novas páginas são criadas e outras tantas deletadas. Um dos exemplos mais conhecidos dessa geração de escritores que alcança visibilidade na internet está Carine Letícia Morandi, mais conhecida como Cah Morandi. 

Com apenas 23 anos de idade já tem um livro publicado e é responsável por diversos blogs literários. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com uma das representantes da nova literatura nacional.


Cah Morandi é uma das mais jovens revelações da literatura brasileira


Quando surgiu seu interesse pela literatura?
Sempre tive um gosto aguçado para a leitura. Desde sempre tive interesse em livros, em conhecer novos escritores. É um amor voluntário pelas palavras.

Quando começou a escrever em blog?
Comecei o primeiro blog em 2006. Iniciei não com a intenção de divulgar as poesias, mas sim para falar do cotidiano, da minha vida. Aos poucos fui partilhando os meus escritos, e aí foi se espalhando, tendo procura, e fui escrevendo mais também... até que o blog virou somente de poesias. Depois montei um de crônicas, que ainda está começando a andar.

Tem algum livro publicado?
Sim, tenho. Lancei em agosto de 2008, com mini poemas, o livro se chama "Borboletas no Estômago".

Porque a preferência pelo estilo literário de crônicas?
Na verdade a crônica é uma paixão que tenho desenvolvido desde 2008, muito forte na minha essência é a poesia. Mas como ler é um hábito que vai nos levando a novas experiências, a poesia as vezes não comportava tudo que tinha para ser dito.

Quais são seus escritores prediletos?
Tenho uma paixão louca por Clarice Lispector. Quem não tem, não é? Li Perto do Coração Selvagem com 13 anos. Claro que não entendi nada, e fui reler depois de adulta, mas desde lá ela ganhou meu coração. Hoje fazem parte da minha "biblioteca pessoal" Lya Luft, Carpinejar, Gabriel García Marquéz, gosto muito de Nélida Piñon e Saramago. E claro, tenho muitos blogueiros que gosto de acompanhar.

De onde vem sua inspiração?
Dons. São dons que Deus nos dá, e é Ele mesmo que nos capacita e aperfeiçoa.

Qual o ponto positivo e negativo da popularização dos blogs literários?
O ponto positivo é que muito gente boa, literalmente, saiu do armário. Vejo muitas pessoas se destacando, escrevendo muito bem, tendo boas experiências, sensíveis. É importante que surja essa diversidade, somos em milhares, e há vários tipos de leituras. Acho fantástico. O lado ruim disso tudo, são os plágios, acontece muito comigo, por isso é importante ter tudo registrado e se precaver com a possibilidade de problemas futuros. Tem mais uma coisa, iniciar um blog é dar "a cara para bater", acontecem pessoas muito interessantes, mas surge também críticas pesadas sobre o seu trabalho. Nunca me importei, não preciso provar nada para ninguém, está lá para quem quiser, minhas palavras são livres.

Você lê alguns blogs? Quais?
Leio muitos blogs, tenho salvo uma lista imensa nos favoritos do meu computador, todo dia dou olhada em alguns, tiro o tempo para a leitura. Tem muita gente com idéias fantásticas, com escritos incríveis. Vale destacar os blogs da Cris Souza - Blog Trem da Lira, Priscila Rodê - Mar Íntimo.   

Você acredita que pode vir a ser uma espécie de Fabrício Carpinejar de saia? Seguindo o mesmo caminho de sucesso que ele?
Seria ousado da minha parte. Fabrício é ótimo, acompanho sempre, compro os livros e devoro num dia. Ele tem um raciocínio íncrivel nas crônicas, e um final arrebatador. "O amor esquece de começar" e "Canalha" são meus preferidos. Inclusive "O amor esquece de começar" é meu livro de cabeceira, junto com o último da Lya Luft "Múltipla Escolha".

Quanto a mim, escrevo, publico. Não faço grande divulgações, mas meu leitores são muito fiéis e levam meu trabalho para muitas pessoas. Todos os dias recebo e-mails carinhosos, e o Twitter também tem colaborado muito. No orkut tem muita poesia minha acontecendo. Fico muito feliz que tenham pessoas se encontrando através das minhas palavras. Hoje não me arrisco a nada, deixo os planos para Deus.

Deixe um trecho de um de seus textos favoritos:
"Esteja atento, não há nenhum aviso prévio, nenhum sintoma antecedente. Quase nem vai lembrar de muitas coisas, apenas da última vez que esteve sobre a plataforma, da última vez que sugou o ar, da última luz que acendia na cidade. Sempre será assim, fazemos as coisas de forma diferente quando as fazemos a última vez.

Há apenas um dia decisivo em toda nossa vida: aquele em que optamos por nosso futuro. É o dia do vôo. Tudo que vivermos depois da escolha será nossa vida inteira."

Qual o endereço dos seus blogs?

De crônicas é o Um olhar para sentir http://umolharparasentir.blogspot.com/ . E tenho o de poesias: http://carinemorandi.blogspot.com

Quem quiser entrar em contato com você pode fazê-lo de que forma?
Através dos blogs e no Twitter também (@cahmorandi). Além de e-mail, claro: poesia@cahmorandi.com.br. Fiquem à vontade!

Há algum projeto literário seu em andamento?
Há pretensões. Estou com muita vontade de publicar um livro somente de crônicas, e em pequenos passos, tenho trabalhado para isso. Tenho paciência, para tudo há um tempo.

Quais são seus conselhos para quem faz literatura na internet?
Saibam usar essa poderosa ferramenta, registrem seu trabalho antes de colocar na rede, leiam outras pessoas, compartilhem textos, façam parcerias, dê possibilidade para ser encontrado. Não faça mil artimanhas para chamar as pessoas para seu trabalho, se ele for bom e interessante, com certeza será buscado. Ah, e não desistam... virá muita gente fazer críticas destrutivas, mas pelas boas pessoas que serão encontradas no caminho, valerá a pena!


Redação e Entrevista: Luana Gabriela da Silva
Foto: Cah Morandi

Miguel Sanches Neto fala sobre literatura e escrita

De onde você é? O que você faz? Não são perguntas tão simples de serem respondidas. Não para alguém como Miguel Sanches Neto, que nasceu em um lugar e sente-se parte de outro e que tem mais de uma "profissão". Esta e outras questões foram abordadas por ele no texto Um Igual , publicado do jornal Gazeta do Povo. Já que estas perguntas são complexas e de difícil resposta, ele responde outras sobre o que mais entende literatura. Em entrevista concedida por email Sanches Neto, que lançou este ano o polêmico Chá das Cinco e no segundo semestre lança o livro de contos Então você quer ser escritor?, fala sobre a literatura nacional e regional, sobre a função da arte e dá dicas para quem deseja ser escritor.
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Em seu texto, Um igual, publicado na Gazeta do Povo (30/03/2010) você lembra que Carlos Drummond de Andrade era funcionário público e escritor. Vem de longa data a necessidade que os escritores têm de se virar em outra profissão, a palavra não alimenta? Foi assim com você também?

Não temos um mercado para a literatura nacional. Nossa literatura moderna optou por romper com o público, fazendo uma literatura para contentar os críticos universitários. Nossa literatura anterior ao modernismo não contava com uma população alfabetizada. Então, desde sempre houve necessidade de ter um emprego. Eu acho isso bom, pois permite que o escritor viva dentro de situações sociais reais.


No mesmo texto você expressa: ... continuo acreditando na arte como deslocamento, como desconforto pessoal e coletivo. A arte não pode afagar feridas e egos, ela tem de cutucar machucados e incomodar o amor próprio?
A função da arte não é entorpecer o fruidor, mas mexer com ele, levá-lo a ser um inconformado. Ela causa dor. Mas também causa prazer. Um prazer doloroso, poderíamos dizer.


Você já escreveu crônicas, contos, romance. Com qual estilo se identifica mais ao escrever, e por quê?
Com o romance, pois é nele que cabem todos os outros gêneros. Ele permite ao escritor uma variação muito grande de recursos. Podemos dizer mais nele.


Na estante de quem quer escrever quais títulos e quais autores não podem faltar?
Os títulos dos autores que fazem parte da sua família espiritual. Primeiro, você tem que saber a qual família você pertence. Descobrindo isso, tem que buscar os grandes desta linhagem. Então, a lista de livros essenciais varia de pessoa para pessoa, e a minha só serve para mim.


Você certa vez afirmou que só existe autor se existir público. Diante dessa afirmativa cria-se o quadro: É preciso publicar um livro para aí ser escritor? E mais, hoje, com a internet, a popularização dos blog´s, muita gente escreve e é lida é o suficiente para ser literatura e caracterizar o blogueiro como autor?
Claro, não importa o meio em que se é lido, o importante é ser lido. Agora, eu acredito que no meio papel há uma leitura mais densa. Mais material. Então, a gente se sente mais autor quando publica um livro. Mas é apenas uma impressão.




Quais considerações pode fazer sobre a literatura paranaense contemporânea? Há alguém despontando no mercado editorial que mereça destaque?
A literatura paranaense é quase toda ela uma literatura curitibana. Hoje, não acompanho mais os lançamentos, então não posso fazer apostas com o mínimo de segurança. Dos que acompanho, eu apostaria no Rogério Pereira e no Pellanda, que começam uma trajetória como autores.




Você é professor de literatura. Assim com inicial minúscula como você fez questão de escrever no texto já mencionado. Em todos estes anos de sala de aula, qual o maior erro que percebeu nos alunos da área literária?
Querem ser professores de literatura e não lêem literatura, apenas textos teóricos. Querem saber escrever e só lêem traduções e textos mal escritos.


O que está lendo agora?
Acabei de ler A morte de Matusalém, contos de Isaac Bashevis Singer. Este escritor judeu fala do conflito entre o mundo religioso e o material, entre a crença e o vale-tudo do materialismo, e seus contos, neste livro, tratam sobre a traição – conjugal, histórica, étnica, mística. E são escritos por um grande fabulador, talvez o mais importante narrador do ocidente no século XX. E nos re-ensina a contar histórias. Li praticamente todos os livros dele.


Para este ano há algum lançamento seu previsto?
Acabei de lançar o romance Chá das cinco com o vampiro (pela Objetiva) e lanço em agosto um volume de contos (Então você quer ser escritor?) pela Record. É neste livro que estou trabalhando agora.


Para quem deseja se lançar no mercado editorial, quais são as suas dicas?
Desenvolver outros trabalhos editoriais paralelos à escrita criativa. Fazer crítica para jornais e blogs, organizar volumes temáticos, fazer tradução, ou seja, ter uma vida editorial antes de ter livros para oferecer aos editores. Fazer-se minimamente conhecido.

Ateliê do Ócio - uma ideia inédita no Brasil

Qual espaço você tem em sua agenda para fazer nada? Quantas vezes já ouvir falar em ócio criativo? Já experimentou ficar sem fazer nada, mas pensando muito, e fazer disso um lazer? Esta é a proposta do Ateliê do Ócio. O criador Tom Lisboa, Mestre em Comunicação pela Universidade Tuiuti do Paraná, conta como surgiu a ideia de desenvolver o espaço que é inédito no Brasil. 

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Como surgiu a ideia de abrir o espaço  Ateliê do Ócio?
 Eu percebi que bibliografia disponível sobre o ócio e o tempo livre era extensa, autores acabaram se consagrando por teorizar a importância de uma educação continuada para o tempo livre (como é o caso de Domenico De Masi), mas em nenhum destes livros eu encontrei um modelo prático a ser seguido. Para preencher esta lacuna, eu criei a Drops Cultural, uma empresa voltada para o Treinamento para o Tempo Livre. Entre as várias atividades disponíveis (como idealizar e montar exposições, assessoria cultural para executivos e organizar eventos) está o Ateliê do Ócio.

Claro que havia vários enfoques possíveis quando  pensei em idealizar uma empresa que “treinasse alguém para o tempo livre”. Acabei optando pelo treinamento através da arte e do aprimoramento cultural. Por ser artista visual com especialização em marketing e mestrado em comunicação, consigo ver claramente como a arte e o universo de criação dos artistas podem renovar a rotina e estimular a capacidade imaginativa das pessoas. Em uma época em que a inovação e a criatividade são atributos cada vez mais valorizados no mercado (e na própria vida), o ser humano precisa estreitar sua ligação com a arte.

Qual a proposta do Ateliê do Ócio?
O Ateliê do Ócio é um espaço onde aprendemos disciplinas que deveriam ser tão importantes quanto a que aprendemos na escola ou na universidade, tais como aprender a ver um bom filme, escutar músicas menos comerciais e entender arte contemporânea. Atualmente, há quem erroneamente julgue estes atributos como uma espécie de elitismo. Se for este o caso, eu sou a favor do lema “elitismo para todos”.  Conhecimento é um direito ao qual o ser humano tem direito e evoluir a partir dele faz parte de seu crescimento.

Há quanto tempo este evento acontece, e com que frequência?
A Drops Cultural foi lançada em 2005, mas era voltada apenas para conceber e montar exposições e organizar eventos culturais. Foi nesta época que eu idealizei o Ateliê do Ócio. Durante quatro anos, eu me dediquei a preparar seu conteúdo, montar aulas, gravar e editar material audiovisual para ser exibido e selecionar textos para leitura. O primeiro Ateliê foi feito ano passado, na Livrarias Curitiba. Atualmente, ele está sendo implantado em empresas (o SESI é um dos clientes), visando estimular a criatividade, eliminar os efeitos negativos da rotina, criar novas relações no ambiente de trabalho e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Qual a dinâmica das reuniões?
As reuniões são todas planejadas, mas não há um formato fixo. O conteúdo é sempre sobre cinema, artes visuais, literatura, música, moda ou design. Não tenho como hábito divulgar o que vai ser apresentado. Acho bom estimular o gosto pela experimentação antes do(a) aluno(a) chegar no local. Em cada encontro eu ministro pequenas palestras, apresento filmes, exibo documentários, distribuo textos e, a partir disto, estimulo muito a reflexão do grupo e oriento os debates.
Outra parte obrigatória é a Agenda Cultural, que traz sempre dicas interessantes de atividades e locais para quem quer aprender a sair da rotina e descobrir novas opções de entretenimento. Ao contrário do que se pensa, entretenimento não é algo vazio. Infelizmente,  há quem pense que se distrair é apenas “ir ao cinema para não pensar”.

Como é formado o público que comparece ao Ateliê?
 Difícl responder esta pergunta porque ele é muito variado. Pessoas dos 17 aos 65 anos já frequentaram o Ateliê do Ócio e vários tipos de profissionais. Aliás faço questão de dizer no material de divulgação que o único pré-requisito para participar é “querer sair da rotina”.

Onde os encontros acontecem?
 De modo aberto e gratuito, apenas na Livrarias Curitiba, uma vez por mês. As datas podem ser verificadas no site ou na publicação impressa da empresa.
No entanto, o Ateliê do Ócio é realizado em empresas, associações e até mesmo em pequenos grupos fechados. A educação para o tempo livre proposta pela Drops Cultural não obedece certos padrões estabelecidos de ter uma grade horária fixa ou sede própria.

Para outras informações acesse o  site da Drops Cultural: www.dropscultural.com.br 
Ou ainda a página do idealizador do Ateliê do Ócio, Tom Lisboa: www.sinTOMnizado.com.br/tomlisboa

    Material de divulgação do Ateliê do Ócio

Um Rascunho eternizado

Adjetivar como eterno um veículo que este ano comemora 10 anos de existência pode parecer um pouco exagerado. Mas não é. Isso porque o jornal literário Rascunho firmou neste período seu nome entre os maiores meios de comunicação com temática cultural do país. O reconhecimento vem do público, colaboradores e de grandes autores da literatura nacional, como Lygia Fagundes Telles e Dalton Trevisan.

O idealizador do jornal Rogério Pereira fala sobre o início do Rascunho, as parcerias e os próximos projetos.  Confira abaixo a entrevista completa.

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Capa nº 0


Rascunho completa em 2010 dez anos de existência. Como ele surgiu?

O Rascunho nasceu para ser um suplemento literário de Curitiba, sem grandes pretensões nacionais. Na época, os jornais da cidade não tinham (e até hoje não têm) um suplemento dedicado à literatura. Portanto, o jornal nasceu desta carência e da vontade de um grupo de jovens de fazer algo que consideravam interessante no jornalismo. Desde o início — e isso se explica, talvez, pelo ímpeto juvenil que nos rondava; todos tínhamos pouco mais de 20 anos e havíamos deixado a universidade recentemente —, o Rascunho sustentou uma proposta de crítica livre, sem vínculos com grupos, panelinhas, etc. Não queríamos fazer um suplemento parecido com o que ofereciam os grandes jornais. Partimos para uma “missão” um tanto iconoclasta. Hoje, mesmo com o amadurecimento do jornal, o Rascunho ainda é visto e reconhecido (o que é muito bom) como um veículo combativo, desapegado de tendências. Enfim, um amplo palco para discussões de maneira salutar e honesta. Também tínhamos uma preocupação em conceder espaço aos autores que estavam fora da grande mídia. Isso é uma marca do jornal que segue forte até hoje.



Neste período o jornal conquistou leitores, colaboradores e o respeito de autores consagrados como Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan e Miguel Sanches Neto. Qual a importância disso para a consolidação do jornal como um veículo cultural no país?
O reconhecimento é fundamental para a existência do Rascunho. Hoje, ele circula em todo o país e é reconhecido com um veículo importante no cenário cultural do País.


Como é feita a distribuição do jornal? Ele pode ser encontrado em todo território nacional?
O Rascunho é distribuído em todo o País pelo Correio para assinantes e cortesias. Além disso, tem diversoso pontos de distribuição em Curitiba, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Também é encontrado nas 17 lojas da Livrarias Curitiba no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Além disso, mantemos parceria de distribuição com o Itamaraty (25 embaixadas do Brasil recebem o Rascunho), Fundação Cultural de Curitiba, Secretaria Municipal da Educação, Biblioteca Pública do Paraná, entre outros.


Atualmente o Rascuho foi selecionado para receber recursos do governo federal. Como você pretende aplicar este recurso?
Os recursos do edital do MinC (venda de 7 mil assinaturas anuais) serão utilizados para pagar as dívidas do jornal, fazer um novo site e manter o jornal vivo por pelo menos mais um ano.

A partir do jornal surgiu o Paiol Literário. Qual o objetivo do Paiol Literário como evento cultural já integrado ao calendário da cidade?
O Paiol Literário é um espaço para o contato do público com os escritores. É uma troca muito interessante. O projeto tem memória, pois todos os encontros são gravados, transcritos, editados e publicados no Rascunho e no site. Em breve, teremos um livro com os encontros já realizados. Até agora, foram 38.

Qual o próximo autor que participará do Paiol Literário?
Ainda não definimos. Será em 19 de maio.

Neste mês de abril a Fundação Cultural de Curitiba lançou o programa Curitiba Lê. Que tem como função aumentar a qualidade e a quantidade da leitura na cidade. São mais de 10 Casas da Leitura e ainda uma Estação da Leitura – no Terminal do Pinheirinho, onde é possível realizar o empréstimo de livros. O que você acha desse tipo de iniciativa?
Acho imprescindível o trabalho do Estado na difusão e incentivo à leitura. Eu fui um dos curadores do acervo desta iniciativa da Fundação Cultural de Curitiba.


Há algum contato entre a Fundação Cultural de Curitiba e você para possibilitar a distribuição do Rascunho nessas Casas da Leitura e na Estação da Leitura?
Nós mantemos um acordo de distribuição do Rascunho em diversos pontos administrados pela Fundação. Com certeza, o Rascunho estará presente nestas novas iniciativas.

Para quem quiser fazer a assinatura do jornal, qual a forma?
Basta acessar o site www.rascunho.com.br, preencher um cadastro. A cobrança bancária é enviada por e-mail. O jornal segue pelo correio. Simples. A assinatura anual custa R$ 60,00.

Quais os próximos projetos seus relacionados ao Rascunho?
Neste ano, teremos antologia das melhores entrevistas do Rascunho nestes 10 anos. Serão 2 volumes com 20 entrevistas cada. Além disso, teremos um novo site.

 
                                                    Capa da edição comemorativa de 10 anos

"Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos, mal rompe a manhã" Carlos Drummond de Andrade

O POETA
Sonha com poemas
e acorda na noite,
escrevendo com os dedos
versos no ar.
Adora
navegar sobre ondas de folhas em branco,
velejar nos cadernos novos,
pular sobre areias de palavras,
correr na praia procurando o Verbo.
Livros, cadernos, papéis e mais papéis...
Continua a lutar com ondas indomáveis,
organiza os termos,
mas só ancora no oceano dos sentimentos.
Nesse instante,
o poeta compreende o poder do caos primordial.
Isabel Furini
23/12/2008

Carlos Drummond de Andrade escreveu em seu poema O Lutador: Palavra, palavra/(digo exasperado),/se me desafias,/aceito o combate", e se o poeta é um lutador que luta com as palavras, é difícil saber se Isabel Furini, escritora argentina radicada em Curitiba, sai da luta como vencedora ou vai a nocaute. Isso porque Isabel usa as palavras com domínio marcial. O poema acima foi ganhador do primeiro lugar do Concurso de Poesia de São José dos Pinhais, em 2002. Isabel tem 15 livros publicados, além da coleção para o público infanto-juvenil: Corujinha e os Filósofos, da Editora Bolsa Nacional do Livro. Pela editora Instituto e Memória lançou no segundo semestre do ano passado O Livro do Escritor. A lutadora-escritora fala nesta entrevista sobre a arte de escrever, do que ela entende desde  criança.

 
Pablo Neruda, segundo se sabe, disse que escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias. É fácil assim mesmo?
Talvez para Neruda fosse fácil. Mas a maioria de nós trabalha bastante para colocar ideias no meio (entre a primeira e a última palavra de um texto).

Uma coisa interessante é que, muitas vezes, o conto, o poema, a crônica, o romance estão lá, em algum lugar do cérebro, e nosso enredo parece maravilhoso, porém, no momento em que decidimos passar o enredo para o papel, as coisas mudam. O enredo não parece o mesmo. É como se fosse um quebra-cabeça e percebemos que perdemos algumas peças no caminho e é difícil completar nosso trabalho.

Você ministra palestras sobre a arte de escrever, orientando quem deseja ser escritor e publicar um livro. Para ser considerado escritor, antes de tudo, é preciso ter um livro publicado?
Essa é uma discussão antiga e, muitas vezes, nas palestras as pessoas perguntam sobre o assunto. Mas o questionamento é complexo. Será que Proust só foi escritor depois de publicar seu livro ou ele já era um escritor desde o momento em que começou a escrever?

Outros consideram que existe diferença entre escritor e autor. Escritor seria quem se dedica a escrever, mas que escreve esporadicamente, por exemplo, quem faz uma obra sobre sua área de trabalho é um autor e não um escritor.

Quais dicas você pode dar para quem quer escrever um livro?
Escrever um livro é uma tarefa empolgante. Se for de ficção, o autor deve desenvolver o enredo passo a passo, alguns mestres do oriente falam que qualquer arte deve ser iniciada com cuidado, com leveza, como quem caminha pisando sobre papel de arroz. Acontece que o caminho do escritor é longo – e não é tão charmoso como as pessoas pensam. Escrever é um trabalho solitário. Então, a primeira dica é ter disciplina, escrever diariamente, ainda que seja uma página. E no mínimo uma vez na semana reler as páginas escritas procurando aprimorar o texto. Outra “dica” é estar sempre atento aos detalhes, caminhar pela rua, ouvir as pessoas. Observar gestos, atitudes, comportamentos e tomar notas daquilo que foi mais interessante. E depois, ao escrever um conto, um romance, analisar se algumas dessas notas podem servir para completar a construção de nossos personagens. Escrever é também aprender a ler o mundo.
O escritor Roberto Gomes, em entrevista ao Paiol Literário, evento realizado pelo jornal Rascunho, em Curitiba, disse que é preciso ler quarenta páginas para escrever uma linha. Você concorda com esta afirmação? Quais autores e obras você caracteriza como indispensáveis para quem deseja fazer literatura neste século XXI?
O escritor Roberto Gomes é muito experiente e deu um bom conselho. Se lermos quarenta páginas para escrever uma linha, imagine você como será interessante essa linha!

Realmente a leitura é imprescindível para o escritor. O trabalho consiste em ler, refletir, e só depois escrever, talvez, por isso, como falou Gomes, precisamos ler muito para escrever um pouco.

Nos últimos 20 anos, com a popularização do uso do computador e da internet, houve uma proliferação dos blogs. Com isso, criou-se um espaço para quem escreve poder publicar seus textos e ir conquistando visibilidade. Você vê isso de forma positiva para a literatura nacional?
Tem um aspecto positivo, pois a internet abriu um espaço democrático, e a juventude está escrevendo muito mais graças aos blogs. Alguns criticam porque muitas pessoas (jovens e adultos) escrevem em blogs espontaneamente, sem aprimorar os textos. Eu acho que ainda assim é uma maneira de se comunicar pela palavra escrita, uma maneira de trabalhar a escrita.

Quais são seus próximos projetos? Há algum livro sendo produzido?
O Livro do Escritor foi lançado pela editora Instituto Memória, em 1° de setembro de 2009. Nesse mesmo mês, comecei um novo trabalho também relacionado à arte de escrever, que pode ser considerado uma continuação de O Livro do Escritor, mas ainda não tem título. Também estou organizando um livro com meus poemas. Escrevo poemas desde criança, e a maioria é jogada fora, mas agora – graças ao meu Blog no Bondenews - eu tenho espaço para publicar meus poemas, pois poesia é um gênero difícil de publicar.




Para quem quiser entrar em contato com você, quais são as formas?
Podem entrar em contato pelo celular (41) 8813-9276 ou pelo e-mail livrocoruja@yahoo.com.br

Redação e Eentrevista: Luana Gabriela da Silva
Fotos: Divulgação

Arte forte e delicada (como a mulher contemporânea)

Forte na estrutura e de essência delicada são características comuns a criadora e a criatura. Representante do mais popular “tipo” de mulher do presente século, a designer Désirée Sessegolo, - empresária, mãe, etc. - realiza desde o início deste mês sua primeira exposição individual- Anima! As peças de vidro trabalhadas com técnicas específicas são expressões artísticas de beleza única. Tanto, que encantaram a crítica de arte Maria Leticia Vianna, Doutora em Arte pela USP e Sorbone.

Confira abaixo entrevista exclusiva com a artista e saboreie o petisco de sua obra doce como descreve Maria Letícia Viana, no texto de abertura da exposição. (Confira o texto completo no site)


Desde quando trabalha com criação de peças de cerâmica e vidro? Porque os escolheu como material base para o seu trabalho?
Há 3 anos iniciei com cerâmica e em seguida com cerâmica com queima em Raku e depois com vidrofusão. Sempre sonhei em trabalhar com materiais onde eu pudesse dar vazão à criatividade com total liberdade de criação... e a cerâmica foi excelente para mim. O vidro foi um passo a mais, onde desenvolvi uma nova técnica de fusão.


Qual a sua inspiração para a escolha das cores, formatos,para a criação das peças?
A fonte de inspiração é a natureza em conjunção com a alma e o espírito. As formas são sempre orgânicas e simples para evideciar a textura de cada peça; e as cores intensas, pelas diferentes sensações que geram no observador.


Sua primeira exposição individual (Anima!) está aberta, em Curitiba. Qual a sua expectativa com relação a esta experiência?
A realização pessoal é enorme ao ver que a minha criação agrada a outras pessoas. E ainda maior ao receber críticas favoráveis de grandes conhecedores das artes visuais e da mídia nacional. Minha expectativa é de tornar o meu trabalho conhecido e com isso, colocá-lo em galerias e em exposições fora do país.


Peça de Désirée Sessegolo - Divulgação

Qual sua visão do espaço que é dedicado às artes plásticas aqui no Brasil e especificamente em Curitiba?
A dificuldade começa com a pouca oferta em materiais e ferramentas, que além de escassos, são caríssimos. Depois vem a falta de incentivo à produção artística.

Há alguma outra exposição em vista? Quais são seus próximos projetos?
Tenho planos de expor em outras capitais brasileiras e no exterior, com foco na Itália pela forte tradição vidreira.


Para quem quiser contatá-la, quais são as formas?
Através do site http://www.ceramicaevidro.com/ e do e-mail: desiree_sessegolo@hotmail.com


Serviço:
Exposições: Anima!
Local: Museu Alfredo Andersen (Rua Mateus Leme, 336)
Horário de visitação: de terças às sextas-feiras das 9h às 18h
Sábados, domingos e feriados das 10h às 16h.
Data: até 23 de maio
Entrada gratuita
Informações: (41) 3222-8262

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