Meio Bossa-Nova & Rock'n Roll

Haveria amanhã. Ele precisava se lembrar. Que o fim do amor não é o fim do mundo. Nada romântico pensar assim. E ele era romântico. Não exatamente aquele de mandar flores, escrever cartas e cartas. Tinha costume de deixar bilhetes, em uma das canecas dela, a que ele mais gostava. Justo a que hoje ela havia quebrado. Pensou bem e concluiu que deve ter sido proposital. Havia se quebrado então um ciclo todo de confiança, liberdade, respeito, o básico que ele e ela sempre concordaram, para que a palavra amor pudesse ser empregada para dar nome aquele sentimento que os acometia já há algum tempo. Nem ele nem ela estavam sozinhos quando se conheceram. Até estavam, mas não se sentiam sós. O amor, ou o que quer que fosse que sentiam por outras pessoas, nunca os deixava só. A solidão era visita e não moradora daquelas vidas. Sobre o céu já escurecendo se encontram, amigos em comum. Era quase outono, algumas árvores balançavam com mais intensidade, o vento desarrumava os cabelos negros dela e deixava a pele branca um pouco rosada. Talvez o vento sussurrasse no ouvido dela, coisas que a deixava encabulada. E ela sorria, meu Deus como sorria. Com as mãos no bolso, as unhas vermelhas. E ainda tinha os óculos uma barreira entre os olhos dela e a realidade. Só mais tarde é que ele foi entender porque tudo que ela via era tão diferente do que a verdade. Cecília tinha uns 21 anos, ele 18. Ela não terminara a faculdade de história, disse que havia cansado dos fatos. Queria prestar vestibular para Letras, a literatura conquistou aquele coração tão duro, o que ele também só viria saber mais tarde. Entre um gole e outro (da mesma bebida), risadas, segredos velados, uma pergunta ou outra sobre a vida. A conversa ia de música a culinária. Ela contou sobre as receitas de capuccino que havia recebido de alguns amigos e disse que um dia faria a receita para ele experimentar. Julian preferiu esconder o fato de que não gostava de café, nem capuccino, era fã mesmo de chá. O que Cecília usaria contra ele logo na primeira briga. ( Que tipo de homem é você, que prefere chá? – debocharia ela). Cecília era muito doce, mas quando passava do ponto, era amarga, muito amarga. E sucederam os dias. Telefones, mensagens, e-mails. Mãos dadas, abraços quentes, filmes de terror, filmes de romance. Hq´s em cima da cama. Ela lia, Caio F., ele qualquer história da Marvel. Ele deu no aniversário dela uma HQ que “era a cara dela” Scott Pilgrim . Rondava aquele universo indie de bandas e coisas alternativas que ele não entendia bem. Ele a conhecia bem, apesar do pouco tempo, e isso bastou para que acertasse no presente. Fez com que ela gostasse de outros super heróis. Mas também parece ter sido a única mudança que produziu nela. Ele, Julian já não é o mesmo. Se ela soubesse que naquele dia, ele havia passado tanto tempo chorando em seu quarto ouvindo refrões que o lembravam de como a vida parecia inútil quando queria, saberia o quanto ele havia mudado.. Mas resolveu aceitar o convite de seu melhor amigo e saíram. Foi o primeiro dia. E muitos outros vieram. Aniversários de parentes. Jogo de futebol na quarta, vídeo game no domingo. Shopping’s e parques. No inverno praia, porque ela não gostava de praia no verão. Foram 6 meses. Contabilizados pela agenda do celular, ela era péssima para guardar datas. E ele também. Hoje foi o último dia. Não houve traição, não houve mentira. Ela apenas disse que não o ama mais. Como se ela tivesse tentado, como se um dia tivesse conseguido. Não o amava mais. Foi ali naquele apartamento que viveram os melhores dias de suas vidas, mas ele agora falava só por ele. Julian aprendeu, as duras penas, que as pessoas sempre podem nos decepcionar. Ele conhecia bem a inconstância de Cecília, conhecia tanto que a cada novo encontro se desgastava para surpreendê-la, para mostrar como ela era importante, e amada. Mas ela nunca acreditava. Passaram os dois acreditando na mais bela mentira de suas vidas. De que haviam se amado naqueles 6 meses. Ele esqueceu Marília. Ela esqueceu Henrique. Não precisavam mais um do outro. E foi dormir assim. Permitiu-se apenas enviar uma última mensagem no celular “O nosso amor a gente inventa/ Pra se distrair/ E quando acaba, a gente pensa/Que ele nunca existiu” . Ao que ela respondeu: Faz parte do meu show, meu amor.
Luana Gabriela 15/01/2010
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Brisas leves - Vento com Som de Riso

[ O que me importa sua voz chamando ]

Eu não me importo mais se me lerás ou não. Eu não me importo se entenderás direito o que digo ou se sua imaginação inverterá os fatos. Eu simplesmente não me importo. Não me importo se virás ou desistiu. Não me importo se um dia me quis ou apenas me iludiu. Não me importo. Qualquer regra desse jogo presunçoso e absurdo que inventamos está sendo quebrada. Eu simplesmente não me importo. Se o telefone ainda vai tocar, se você ainda pensa em mim, se você se quer um dia pensou. Não me importo. Não me importo com a lembrança do seu rosto, que já some de minha mente. Se não lembro do seu cheiro, se foi verdade mesmo o que me disse naquela música. Eu não me importo. Qualquer verdade que tenha sido vivida era só minha. Meu desejo, minha verdade, meu amor inventado. Eu simplesmente não me importo. Com seus ataques ciumentos, sua vontade forjada de me ver. Se quisesses tanto, me terias visto. Teria visto meu olhar te procurando na rua pela qual andamos todos os dias separados. Mas agora simplesmente não me importa. Se daqui pra frente vais sentir-se livre ou solitário. O problema não é meu. Não me importo. Se não houve amor, nem amizade. Não me importa. Se vais pegar a chuva desta noite. Se teu time ganha ou perde, o teu humor não mais me atinge. Eu já não penso mais, eu já não quero mais pensar. Se amanhã a de ser outro dia sem a tua companhia, e quando é que houve um dia com você? Eu simplesmente não me importo, se agora não sabes onde moro, para que te serviu saber isto antes? Nunca apareceu por aqui. Mas eu simplesmente não me importo. Se terás ou não tempo para mim. Eu é que não tenho mais tempo para ti, não tenho mais tempo para te esperar. Cumprirei minha promessa, não mais te imaginar. Mas já não me importo. Com as músicas que tocam e me lembram você. Já não me importo em ter me doado tanto, e recebido o tanto que você quis me dar e só. Já não me importo com esta coisa grave de não ser nada e ser tudo ao mesmo tempo. E já não me importo com esta relação desafinada, ainda que seja meio tom. Nossas vidas estas descompassadas. Não me importa, se escrevi tantas cartas e nenhuma delas te entreguei, não me importa que leias tudo agora e sintas o tom de raiva você pode pensar, com que me saem as palavras, já não me importa que saibas: Eu quase te amei. Já não me importa que saibas como te desejei. Já não me importa. Sem mais regras, nem jogos, só verdades ditas, mesmo que tarde demais. Porque hoje é tarde demais para qualquer palavra, qualquer ato. Porque hoje eu simplesmente não me importo mais em ser alguém perfeito pra você. Ou se haverá outro que me faça tão bem como um dia, por alguns dias você fez, Simplesmente não me importa mais. O amor não me importa mais. E tudo isso de não importar, não é raiva, nem ódio, é (in) diferença dentro de mim. Para mim é indiferente saber de ti. Porque dentro de mim você já morreu. Luana Gabriela "A perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro(a)- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo(a), há então uma morte anormal." Caio F. Abreu

- Amanhã -

O que pode ser o dia de amanhã?
Como posso saber?
O calendário só me dá uma certeza, não é sexta.
"Não aqui" você me diz.
"Eu garanto que não é sexta em nenhum outro lugar do mundo"
O que não sabes é que hoje é sexta em meu coração,
estou curtindo um happy hour contigo, depois de tanto trabalho
No meu coração é sexta desde aquele domingo passado.


Luana Gabriela


O vento bate diferente aqui.
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