Sobre quando amei

Eu amei quando escrevia seu nome junto ao meu na parede da minha casa e contornava com um coração. Eu amei quando ouvi você dizer: A sua inteligência com a beleza dela formaria a mulher perfeita. Eu amei quando então bati a porta e te mandei ir embora. Eu amei quando te vi chorar por outra. Eu amei quando abri mão de ti porque minha melhor amiga também te amava. Eu amei ao dizer "não" a um pedido de namoro porque amava outro. E eu continuei amando quando disse o segundo não por causa do mesmo outro. Eu amei quando o busquei em outros braços, eu amei quando confessei isso. Eu amei quando não me declarei, por sermos então melhores amigos. Eu amei quando não o procurei. Eu amei quando calei o que queria dizer. Eu amei quando segurei as mãos dele por poucos segundos, escondido, e o meu coração acelerou. Eu amei quando eu disse que gostava, mas que passar muito tempo junto me enjoava. Eu amei quando ao acordar lembrava dele e chorava. Eu amei quando ao deitar, lembrava e chorava. Eu amei ao desejar a ele felicidade quando voltou com a namorada. Eu amei ao esperar um ano, ou mais, por um abraço, um beijo. Eu amei quando descobri que ambos queríamos mas que não ficaríamos juntos. Eu amei quando me abri pra ele, quando mesmo machucada eu permiti que ele permanecesse em minha vida. Eu amei quando briguei, quando corri atrás, quando pedi perdão. Eu amei ao me distanciar, eu amei quando disse que não sabia se gostava de verdade dele, pra ele. Eu amei tanto que não me canso de escrever. Eu amei tanto que nunca tive coragem de dizer. De todas as maneiras que se pode amar sozinha eu amei. Agora eu quero amar dizendo sim, andando de mãos dadas para todo mudo ver. Eu quero amar escrevendo abertamente sobre e pra você. Eu quero amar de todas as maneiras que se pode. Amar tocando o repertório que eu aguardo pra você, amar escrevendo bilhetes e espalhando pela casa. Amar com a insegurança de ser aprovada pelos seus amigos, pela sua família, amar sabendo que sou amada também. Meu desejo é poder amar com tudo que posso e do meu melhor jeito, alguém que realmente mereça isso. E por escrever também sobre quando pude viver o amor que eu senti, a dois. E sobre quando fui amada.

Luana Gabriela

Talvez pela última vez

Você possui um talento enorme, que eu desprezei. Você usa a sinceridade como uma arma, igualzinho eu costumava fazer até me ferir. Você sabe meu bem, isso é tudo que vai nos acontecer. As feridas sangram e saram, mas as cicatrizes nunca nos deixam. Você poderia fazer cirurgias para melhorá-las, uma dor para curar uma lembrança dolorosa, te parece justo? Eu não sei. Você ainda se lembra do meu riso? Pois eu, bem, eu não me lembro. Embora o seu não me saia da mente. Tudo bem, querido vamos escrever uma nova história, quem sabe uma nova canção, há outros nomes a serem sussurrados durante a noite, você pode adivinhar por quem eu tenho chamado? Eu poderia apostar que mesmo em silêncio, meu nome ecoa de teus lábios, agora que eles vivem fechados e já não me chamam de amor, já não me beijam.

Você sabe bem como eu costumo exercer o desamor, e você também duvidou de minha habilidade. Aqui estou eu, com mais resiliência do que eu gostaria. E você sabe bem que eu, bom, como canta minha banda favorita, você sabe bem que eu poderia usar alguém como você. Eu só não sei bem, como usar este sentimento enorme de vazio preenchido que você me fazia sentir, e que eu continuo sentindo depois que você partiu. Você sabe que não costumo ligar, nem chamar para sair. A solidão sempre foi minha companhia mais fiel, mesmo quando estávamos juntos. Você me conhece o suficiente para saber que nunca vou traí-la, ela é minha melhor amiga.

Você que me conhece há tanto tempo ainda não se deu conta, que meu tempo é diferente, que eu conto a vida por amores, que eu não sei esperar, que eu desespero e pronto. Você bem deve se lembrar não era eu que ligava aos prantos pedindo abraços, eu sempre chorei em silêncio, protegida de qualquer olhar, qualquer um que pudesse ouvir as bobeiras que eu tinha pra reclamar. E eu nunca te ligava. Eu falava de você como se você fosse apenas mais um amigo, e agora nem isso. Esqueci de te dizer: és meu primeiro ex que não dá nem pra ser amigo. Espero que estejas feliz, uma categoria só tua. É um pouco daquela ironia, que você tanto adorava em mim. Tudo que eu não gosto e que você adora, as marcas na pele, a racionalidade, a cicatriz na orelha. Está na hora de eu esperar por alguém que goste do meu melhor, não do meu pior. E de alguém que me faça agir mais de acordo com o meu melhor, não com o que há demais terrível em mim. Alguém que me desperte para a emoção, para acreditar no inacreditável, para sonhar mesmo que com os pés no chão. E você sabe bem, que eu não consigo dizer não.



"I’m leaving you for the last time baby
You think you’re loving,
But you don’t love me
I’ve been confused
outta my mind lately
You think you’re loving,
But you don’t love me
I want to be free, baby
You’ve hurt me
You hurt me bad but I won't shed a tear

Estou te deixando pela última vez, baby
Você acha que está amando,
Mas você não me ama
E fiquei confusa
Fora de mim ultimamente
Você acha que está amando,
Mas eu quero ser livre, baby
Você me machucou
Você me machucou feio, mas não vou derramar uma lágrima"
 Warnick Avenue

Pra você que não me lê

Lá vai. Este é meu primeiro texto pra você. Justo pra você que não me lê. Que acha que eu devo largar essa coisa de poesia e romance, você que acha que isso me faz mal. Você que lê meus cadernos de rascunhos, meus textos brutos. Você com toda essa sinceridade merece a minha sinceridade também. Embora você tenha entendido tudo errado da única vez em que eu disse que te amo. E eu tive que ficar uma semana tentando te convencer que era amor de amigo, que inclusive é o mais puro amor que eu consigo sentir por alguém, aliás, talvez seja o único amor que eu sei sentir.

Escrevo pra você. Pra você que odeia as músicas que eu ouço. Que não gosta dos filmes que eu vejo. Que me obriga a assistir filmes de terror, que me liga de madrugada pra dizer que ganhou no futebol, que acabou de terminar. Pra você que me deixa dormir na cama maior, que sempre me dá os presentes perfeitos, que fez questão de esquecer que eu te fiz sofrer. Você que me liga pra contar que está namorando, justo pra mim que demorei meses pra te contar que estava, mas que te liguei assim que não estava mais. Pra você que me atende na sala de aula, no meio do expediente do trabalho, pra você que diz pra tentar ser feliz, e esquecer o que passou. Pra você que me ouve te ligar chorando, e que sempre me faz rir antes de desligar.

Eu, estou aqui. Te escrevendo, lendo nossa relação pelas minhas palavras. Você que me abraça forte, uma, duas, três vezes seguidas e eu nem preciso dizer porque estava com tanta saudade de um abraço forte. Você que reclama da minha comida, mas tem vindo almoçar comigo toda semana. Você que desconfia que eu te amei desde o começo, e não sabe que eu te detestei quando te conheci. Você que fez comigo um pacto de não nos apaixonarmos e de nunca ficarmos, e você que me fez descumprir o pacto mais idiota que eu fiz na minha vida. Você que me escreve pra saber como está o sol, como foi a viagem, como vai minha procura por trabalho. Você que deixa seu cheiro em meus dedos depois do abraço, que me diz quase toda semana “eu sou o cara perfeito pra você, admita”, você que eu acho que me ama sem saber, você que eu já achei que amava um dia. É para você que eu escrevo, e eu queria que alguém como você fosse o personagem principal dos meus textos, mas alguém como você não existe. E te escrever é o que posso fazer, este é meu primeiro texto sobre e para você, que não lê o que eu escrevo, mas lê minha alma e meus desejos. 


Luana Gabriela
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