Bienal do Livro: Uma Oportunidade para quem gosta de leitura crescer e para quem não gosta descobrir
Marginália de
Luana Gabriela
No primeiro semestre do ano Curitiba respira cultura. Em janeiro, recebe a Oficina de Música; em março, o Festival de Teatro. Mas apesar das feiras de livros, distribuídas ao longo do ano, faltava mesmo um evento de grande porte na área literária. Faltava. Já está confirmada a primeira edição da Bienal do Livro do Paraná.
Segundo Rogério Pereira, idealizador do jornal literário Rascunho e curador do Café Literário, a Bienal é uma oportunidade para fomentar o hábito da leitura entre os curitibanos. “Todo evento, cujo protagonista é o livro, tem o nobre objetivo de incentivar a leitura. A Bienal do Livro do Paraná será um marco em eventos literários em Curitiba”, diz.
Um dos objetivos é proporcionar uma maior aproximação entre leitor e autores e ainda firmar a cidade no circuito literário nacional. “Além de aproximar os leitores dos livros e de importantes nomes da literatura nacional, a Bienal coloca a capital paranaense no mapa dos grandes eventos nacionais”, conta. Rogério também aponta outros benefícios da realização do evento na cidade. “A Bienal movimentará a economia local, criará empregos e abrirá novas perspectivas comerciais para o mercado editorial paranaense”, explica. De acordo com a organização, são esperados 200 mil visitantes durante os de dias do evento.
A Bienal segue exemplos de sucesso, como o das Bienais do Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais. É o que afirma Tatiana Zaccaro, Gerente do Núcleo Bienal do Livro da Fagga, empresa responsável pela organização e divulgação do evento. “A proposta do evento segue o modelo bem sucedido dessas outras Bienais e conta com uma diversificada programação cultural. Não é um evento que vise apenas o lado comercial. A Bienal do Livro que estamos levando para o Paraná é sim um programa para toda a família, todas as pessoas, com ações voltadas para crianças, jovens e adultos. O objetivo é aproximar o visitante do lúdico e misterioso mundo dos livros e da literatura, incentivando assim o hábito da leitura”, afirma.
Serão ao todo, 60 expositores, cerca de 40 autores e mais de 80 sessões na Programação Cultural. O público terá oportunidade de encontrar seus ídolos e debater literatura no Café Literário. As crianças podem participar do Circo das Letras, o espaço vai proporcionar uma viagem inesquecível ao mundo dos livros, com apresentações diárias para estimular, de maneira lúdica, o prazer de ler. O evento tem um projeto exclusivo: a Visitação Escolar. Tatiana explica: “O projeto permite uma participação especial para estudantes de escolas públicas e particulares. Além da oportunidade de se aproximar do mundo dos livros, estimulando a imaginação”, conta.
Entre os autores que já confirmaram presença estão Cristovão Tezza, José Castello, Márcio Souza e Ana Miranda. A organização do evento ainda aguarda a confirmação de outros autores com destaque em diversos gêneros da literatura nacional. A cena literária local está bem representada, segundo Rogério. “No Café Literário, autores nacionais e paranaenses dividirão os encontros. A curadoria não faz distinção entre autores nacionais e locais. Até porque muitos autores de Curitiba têm grande destaque no cenário nacional. Exemplo: Cristovão Tezza e José Castello. Além disso, todos os mediadores do Café Literário serão jornalistas e escritores curitibanos. A cidade estará muito bem representada durante os 10 dias da Bienal”, explica.
O Jornal Literário Rascunho tem distribuição garantida no evento. “Com certeza, a Bienal e os autores convidados terão atenção especial na edição de outubro do jornal. E ainda, em parceria com a Livrarias Curitiba e a Fundação Cultural de Curitiba, cerca de 3 mil exemplares do Rascunho serão distribuídos durante a Bienal”, conta Rogério.
Além das ações culturais, a feira também vai reunir livrarias, editoras e distribuidoras que comercializam títulos em seus estandes. Entre as empresas que já confirmaram presença estão: Livrarias Curitiba, Senado Federal, Editora Vozes, Barsa Planeta, Edições Paulinas, Editora da Universidade do Paraná, Companhia das Letras, Sextante, Record, Rocco, Editora Minuano, Editora Escala, entre outras.
As editoras estão se programando para realizar lançamentos durantes os dez dia de evento.
Serviço:
Data: 1º a 10 de outubro
Local: Estação Convention Center.
Outras informações: www.bienaldolivrodoparana.com.br
A leitura tem sido foco de diversas ações este ano na capital paranaense, confira matéria sobre as Casas de Leitura e a Estação da Leitura.
Conheça mais sobre o Jornal Literário Rascunho, que este ano comemora 10 anos.
Redação: Luana Gabriela
Ilustração: Divulgação
Quando novembro chegar
Marginália de
Luana Gabriela
Ainda é agosto. Para alguns ainda, para outros já. Mas eu queria mesmo é que fosse novembro. Para ao som de Axl, contemplar a chuva de um quase verão e tantas coisas boas a chegar. Eu que nunca gostei de maio, eu que não gosto de setembro, tenho agora medo de novembro.
Logo eu que sempre o amei. Que a ele dediquei textos enormes, que fico aguardando sua chegada para ver o que me reserva. Logo eu que nasci em dezembro, fico esperando novembro chegar. Sem saber ao certo o que me traz. Já que julho, este sim, me surpreendeu. Julho me trouxe um emprego ótimo, um amor inesperado, um amor por mim, pela vida. Julho me trouxe de volta a mim.
Os ventos de julho me trouxeram à memória o meio abraço, a traição, e o sorriso ao lembrar de tudo isso sem sofrer. Julho me afagou o rosto, me trouxe à boca o gosto de um beijo de amor. Julho me trouxe a memória da palavra amor, cumplicidade, entrega, confiança. Julho foi e não levou nada, a não ser aquela pessoa triste que eu era há 6 meses atrás.
Agosto chega e me lembra Caio F.: “Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses (...) Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.”
Agosto chega antecedido por reticências. Quando novembro chegar talvez seja para lembrar quanto julho foi bom, talvez para somente pôr um ponto final e começar um outro parágrafo.
Luana Gabriela
02/08/2010
"Cause nothing lasts forever
And we both know hearts can change...
But lovers always come
And lovers always go
An no one's really sure"
November Rain
Si doux comme un petit-four - Tiê
Marginália de
Luana Gabriela
Como em qualquer dia chuvoso, ficava quieto, mas era assim também nos dias ensolarados. O silêncio era sua maior companhia, até que o riso dela lhe acordava. De onde veio aquele encanto todo que ela tinha, e ele não conseguia esquecer? De onde ela lhe trouxera aquela vontade de viver? Cansado de tentar descobrir, rendeu-se sem mais porquês. Descobrindo que amar é não saber, não compreender. Encontravam-se e relembravam os momentos tantos, e procuravam achar onde tudo havia começado. Ela confessava: Desde sempre eu te quis pra mim. E aquilo embora insano, dada as diferenças de gostos e planos, lhe fez cócegas no ouvido e no ego. Ela havia despertado o monstro que nele habitava. Era à noite que aquele monstro bonito saía. E falava sobre beijos, abraços, cumplicidade. Que monstro há que saiba ser necessária antes de tudo e qualquer coisa essa tal de cumplicidade? Só ele. É que naquele monstro habitava agora um tanto a mais de vida, que pode lhe trazer morte. Tornando infinito o paradoxo que é viver. Que amor é este que faz viver e quase mata? Não era mais possível ser totalmente racional, como ambos gabavam-se de ser. Este é um conto de dois amigos que de tão diferentes descobriram-se iguais. Que de tão racionais descobriram-se apaixonados. E apesar de ser curto, não tem fim. Como parecem não ter alguns dias chuvosos e aquele silêncio cúmplice dos dois.
Luana Gabriela
27/07/2010
Brisa doce no Vento com Som de Riso (passa lá pra sentir o toque suave de um suspiro apaixonado)
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