[ mas não se deixe morrer sem saber o que é viver ] Square

Aos meus 12 anos vitória de verdade seria sair de casa aos 18. Aos 15 era conseguir sair sem minha mãe saber e ficar com aquele cara lindo do colégio. Aos 17 era passar no vestibular. Aos 18 era conseguir concluir o primeiro ano da faculdade sem ter nenhuma dependência, vitória não conquistada, aliás. Aos 19 era conseguir tirar aquela música com todas as viradas. Aos 20 era terminar logo a faculdade. Aos 21 anos tenho sim algumas grandes vitórias em mente, concluir uma outra faculdade, falar francês. Mas quero me concentrar nas minhas pequenas vitórias. De quando conseguir me manter em pé no skate pela primeira vez. Entender que mesmo sem a carteira de motorista, tirar o carro do lugar, já é uma vitória. Uma pequena vitória que me leva a outras. Conseguir afinar meu violão sem um afinador, não ser grosseira com meus amigos quando estou irritada, é uma vitória. Terminar de ler aquele livro que eu comprei há dois anos é uma vitória. O primeiro campeonato de futebol que eu ganhei. Dois meses sem pintar o cabelo e deixá-lo crescer é uma vitória. Cada dia que eu me esforço tentando não levar a vida ao extremo, 8 ou 80 e deixando as coisas fluírem é uma vitória contra a minha ansiedade. Quando de noite, eu não liguei pra ninguém, e sofri calada a minha dor, foi uma vitória. Quando consegui deter versos tristes que eu escreveria, foi uma vitória. O cigarro que não fumei, o cinema que eu neguei, são as minhas pequenas vitórias. O ciúme que eu calo, e deixo quieto de lado, é uma vitória. Os pecados que não cometi. Aquela música que eu terminei de compor. Aquele acorde que eu consegui fazer. Minha coleção de pequenas vitórias. Quando eu olho para você e consigo não te amar, apesar da sua “perfeição” é uma vitória. Se boa, ou ruim, só o tempo e você podem dizer. Não mentir que não estou é uma vitória. Não jogar sobre as pessoas as conseqüências dos meus erros. Não “jogar na cara” erros que já foram superados. Não supervalorizar a opinião dos meus amigos é uma vitória e tanto. Deixar o preconceito de lado e ler Machado de Assis é uma conquista, que hoje faz um ano. O dia que não chorei, a cobrança que não fiz, o café que não tomei, ilustram ainda a minha lista de vitórias pequenas. O conselho que não dei, aquele outro que não pedi. O brigadeiro que não comi, o romance que não assisti, a critica que não fiz. A ofensa que calei, a mágoa que não guardei. A roupa que não comprei, o livro que não pedi de volta, o abraço que não neguei, a saudade que não alimentei, o e-mail que não respondi, o amor que eu não cobrei. Pensando bem, até agora eu mais venci do que perdi. E para mim, pensar assim também é uma vitória. Luana Gabriela 25/09/2009
Trilha: Mais um café gelado por favor - Dance of Days
[nao importa se o que eu sinto/ não faz sentido pra você
Essa noite vou ver o mar/Sentir as ondas em meus pés/
Sentir que meus dias valem muito mais que Ficar e ouvir você falar/sobre dinheiro e trabalhar/
Sobre coisas que eu não vou mudar/você torna tão difícil/
tudo que se importa demais/com o que os outros vão pensar/
Ninguém vai devolver sua vida/
quando perceber que deixou tudo pra trás]

5 marginálias:

  1. Ter encontrado o seu blog em meio a tantos outros, foi uma vitória.
    =D

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  2. Nunca tinha parado pra pensar nessas "pequenas vitórias". Realmente acho que todas elas juntas me fazem mais uma vencedora do que uma perdedora.

    Obrigada pelos comentários! :D
    Beeeijos

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  3. Lu escrever é uma arte. Tens o dom.

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  4. "O ciúme que eu calo, e deixo quieto de lado, é uma vitória." ... Entendo bem!!!

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