Sem Final



“Sabia, gosto de você chegar assim
Arrancando páginas dentro de mim desde o primeiro dia
Sabia me apagando filmes geniais rebobinando o século
Meus velhos carnavais, minha melancolia
Sabia, que você ia trazer seus instrumentos
E invadir minha cabeça onde um dia tocava uma orquestra
Pra companhia dançar
Sabia, que ia acontecer você, um dia
E claro que já não me valeria nada
 Tudo o que eu sabia
Um dia”
Chico Buarque

Páginas de medo, desesperança, insegurança, e tantas outras palavras cravadas em mim. Compunham o livro sem final feliz que eu era. Um livro que você tinha na estante há quatro anos e nunca havia passado das primeiras páginas. Era bom, mas não te instigava a ir até o fim. O livro não mudou. Você mudou. Você se interessou pelo mistério que eu era, pelas verdades das entrelinhas do que eu te falava e dos silêncios dos nossos encontros.

Nossa história mudou de foco narrativo. Eu escrevi um monólogo por dois anos. Até que você veio, arrancou estas páginas, rabiscou as palavras tristes e tem tatuado em mim novas palavras que soam estranhas ao meu ouvido. São ditas baixinho pra quase ninguém ouvir, afinal há muita gente invejosa nesse mundo, mas não há como não repetir: Amor, Cumplicidade, Futuro, Respeito, e tanta outras que também merecem ser escritas com as iniciais maiúsculas, são os títulos dos capítulos da nossa história. Escrita como um romance e ilustrada como uma HQ. Meu universo e o seu, unidos. Seu mundo e o meu tentando entrar na mesma órbita.

Sou um novo livro. Tenho uma nova história. Dessa vez não sou a narradora, a autora. Eu sou só um personagem desse enredo de amor nerd e indie que você tem escrito. Você é meu autor preferido, ainda que não seja poeta. Ainda que cante desafinado, tua voz é minha melodia favorita e o tom em que você diz: Eu te amo é o tom perfeito pra embalar a sintonia do meu coração ritmado - mesmo quando no início eu ficava em silêncio, ele gritava: Eu também te amo.

Essa história sem final, feita de páginas arrancadas, palavras desconexas tatuadas, algumas molhadas de lágrimas, outras em branco pelo silêncio, é meu romance favorito. O romance quase perfeito, possível. Eu, que nas suas mãos sou só um personagem, já não sei mais falar de amor rimando com dor.

Luana Gabriela
13/10/2010

10 marginálias:

  1. Adorei... "Eu, que nas suas mãos sou só um personagem, já não sei mais falar de amor rimando com dor." que final tocante... lindo!

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  2. muito lindo o final, gostei muito.
    parabéns.

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  3. "romance quase perfeito, possível."

    Bom é quando podemos ter romances semi-perfeitos (por que erros trazem a pimenta do tempero) e possíveis e passíveis de serem vividos, não é?

    Beijos, a namorada.

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  4. Adorei!

    Já estou seguindo ;D

    Beijo

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  5. 'Eu, que nas suas mãos sou só um personagem, já não sei mais falar de amor rimando com dor.'

    Que lindo, moça ;)

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  6. Bom, antes de comentar esse texto excepcionalmente perfeito, quero te dizer que li um texto teu há um tempo atrás, sobre incerteza e separação, indicado pelo Maçao [que foi por onde te descobri] e chorei... um dos mais lindos que já li.

    E esse é uma dádiva. Quem foi que disse que o amor tem que rimar com dor sempre? E se rimar, pq a dor precisa ser necessariamente do fim? pode ser a dor de ficar um dia longe, de não conseguir falar com ele no telefone, de ver ele indo embora e já sentindo saudade... Nem toda dor é ruim...

    Escreves muito!

    E ainda espero vc no tt pra gente desenvolver nossa idéia sobre as camisetas do Caio!

    mil beijos e boa sorte na não-dor do amor!!!

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  7. O título desse blog não tem como não chamar a atenção. Muito bom!

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  8. Que visita prazerosa! Parabéns pelo espaço e pela harmonia das palavras!
    Voltarei, certamente!

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  9. VIVA O CAFÉ "PERFUME DE LIBERDADE"

    Seja "Robusta" ou "Arábico"
    Do Brasil ou de Timor.
    Seja forte ou aromático,
    quando é feito com carinho,
    tem o aroma da FLOR,
    no sentido figurado.
    No presente e no passado,
    Sabemos que é verdade,
    que é à volta do CAFÉ
    Que nasce tanta amizade.
    Sendo assim já faz sentido,
    O convite que te faço ...
    VEM TOMAR CAFÉ COMIGO !!!!

    Envio este meu pequeno poema
    A Rima que falta sobre o café.~

    Um abracinho

    ARFER

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