Gosto de ver você dormir


“O mundo anda tão complicado, que hoje eu quero fazer tudo por você”, cantava o trio em cima de um pequeno palco qualquer, num bar qualquer dessa cidade. Rodeada de amigos, com os papos mais divertidos e cabeça ao mesmo tempo, o refrão ecoava em minha mente, com a tua voz. Com tua voz de domingo de manhã, com teu hálito e hábito de beijo escova de dente. Essa foi a cena de quando eu disse: Gosto muito de você.

Foi pouco. Depois de tanto mimo, cuidado, carinho, você queria (merecia?) ouvir mesmo era um Eu te amo, bem espaçado para não confundir, para você não imaginar que era sonho. É pouco? Mas é tudo e é completamente. Eu gosto tanto de você que não há em mim espaço para gostar de outros olhos, de outros beijos, de outros dedos, de outra voz, de outros acordes, de outro. Eu gosto de você e é tanto que suporto teus rock’s antigos, teu cabelo mais comprido que o meu, é tanto que aguento você me oferecendo chá, sabendo da minha paixão por café. Gosto de você e é tanto que não importo de você vestir camisetas tão velhas e desbotadas e nem com seu all star tão surrado, quanto seu coração.

Gosto. E é tanto que quero aprender a cozinhar teu prato favorito de surpresa, e preparar num domingo qualquer. Gosto tanto que acompanho as notícias de teu time, mesmo sendo um grande rival do meu. Gosto. Gosto desse perfume, mesmo sendo igual ao do ex, em ti é diferente. Gosto da sua maneira bruta de atender ao telefone, e do modo doce de não querer desligar. Eu gosto. Gosto de teu sotaque diferente, da tua pinta no braço, da tatuagem escondida nas costas, gosto mesmo. Pode ser pouco. Mas pra mim já é tanto.

Você sabe minhas histórias, aquela frase dita precocemente, virou uma grande mentira. Não me diga eu te peço, e às vezes é mesmo para não me sentir na obrigação de responder Eu também, como você supôs. Eu nunca te pedi pra ligar, me apresentar aos seus pais, eu nunca exigi nada, apenas peço que não diga. A palavra dita não volta. Ela chega ao coração cria raízes e pra arrancar, dói muito. Meu coração é de novo um solo fértil, não diga nada.

Me basta dividir os dias, completar as frases, cantar os mesmos refrões, me basta amar e não dizer. Você cruza a porta, cumprimenta todo mundo, chega minha vez, sua voz rouca, sussurra: “Quero ouvir uma canção de amor /Que fale da minha situação/De quem deixou a segurança de seu mundo/Por amor. Isso é tudo. O silêncio que vem depois é a frase que tanto calamos. Gosto muito disso.

Luana Gabriela
13/02/2011  

4 marginálias:

  1. Silêncios, entrelinhas, não-ditos...tendem a ser demasiadamente importantes.

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  2. Espero que esse gostar-amar seja tão bonito quanto você merece, Lua!
    Eu e Rayssa saimos nesse fim de semana e numa das conversas da noite, somente elogios a você, fique sabendo! :)

    Meu beijo com saudades dessa poesia toda!

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  3. quanto tempo não me sinto assim, exatamente assim...

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