É que já não sei rimar. Quando ele me deixou sorrindo e chorando, aquela mistura inédita de sensações me calou. Por dentro e por fora. Aqui no peito bate o coração bem lento, mudo, não faz mais ouvir a sua voz. Quando o coração emudece, definitivamente a razão grita, às vezes só sussura, mas faz um barulho gigante aqui dentro. Porque o que fala é tão vivo que dói, e mata. E mesmo que tape (eu e você) os ouvidos aquela razão - verdade aprendida - ecoa e quando nos olhamos os alarmes piscam - Perigo! E baixamos os olhos, e continuamos a andar. Lá fora o vento sopra, mas estamos ambos protegidos, guardados, aquecidos, apesar do frio dentro de nós. Porque aqui, você aponta pro peito e diz, aqui o vento não entra mais. E eu completo: Daqui, aponto para nossos corações, o vento não leva nada. Você repete: Nada. E concluo que não há mesmo o que levar. Que dois vazios não se preenchem, muito menos se transbordam.
Luana Gabriela
27/04/2010 Trilha:E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Los Hermanos






